EMIGRANTES de TODAS as SEMANAS
PROFISSÃO : MOTORISTAS DE PRAÇA
Crónicas da Emigração
Viagens a França
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Pelo clima, por não saber falar a lingua, pelo cansaço, pelas más comidas e dormidas pelos carros superlotados, avarias, acidentes, ansiedade, etc,etc.Uma série interminável de circunstancias, que faziam destes emigrantes semanais, homens profissionais nesta vida, pela força das circunstancias.
Umas vezes para o Norte de França, outras para o Sul, outras para o Este; na próxima semana, mais longe ! a Belgica, noutra o Luxemburgo, a Alemanha, a Suiça.Umas vezes para regiões de montanha e neve, de inverno rigoroso, outras vezes para zonas de intenso nevoeiro nocturno e de intenso tráfego. Tudo isto seria normal se estivessemos habituados e equipados para o efeito, mas pneus ou correntes de neve não usávamos, apesar de viver numa zona serrana, antigêlo no radiador, tambem não; (eu escavaquei um bloco do “Merceds” uma vez que pernoitei em Nancy). Quem vivia nas zonas mais frias ou quando a temperatura baixava mais um pouco, usavamos pôr no radiador um pouco de aguardente “xanfrana”, nome dado à aguardente mais fraca, que por ser mais barata e acessível que o producto verdadeiro e assim se passava o período do Inverno. Farois de nevoeiro, na maioria dos casos tambem eram desnecessários e poucos automoveis estavam equipados com eles e até aquecimento na maioria dos casos não funcionava; assim acontecia no meu já muito usado “Mercedes 180 D”, que para nos aquecermos durante estas longas viagens nocturnas, tinhamos que tapar as pernas com um cobertor. E eu como não podia desviao pé do acelerador, tinha que parar e sair cá fora, para aquecer os pés no gases do tubo de escape.
Assim todos estes contratempos, eram desconfortos e problemas que tinhamos que enfrentar e representavam para os menos experientes e noviços nestas viagens, um tempo e situações de vida dificil. Um simples arame ou cordel que precisássemos e não tivessemos conosco poderia trazer-nos grandes transtornos, num país onde não sabiamos falar a lingua. Estou-me a lembrar duma ocasião em que se me partiu o tubo do escape e não podia andar com ele naquela posição, pois roçava no pavimento e forçava o outro resto a partir; assim teria que ser arranjado ou simplesmente seguro, para poder seguir marcha, mas como não tinha nada com que pudesse remediar a situação, valeu-me a circunstancia de ter cordel suficiente no atadilho do oleado, que era indispenssável nestas viagens, ( quem não conhece o Norte da Europa para chuva mesmo no Verão) e poder remediar a situação, até que vi uma dessas vedações de arame que se usam para conter os animais, neste caso as vacas e fui lá cortar um bocado para me desenrascar.
Daí em diante nunca mais saí de casa para estas viagens, sem levar um bom bocado de arame e cordel suficiente para o que fosse preciso.
Outra coisa que tinha que levar sempre comigo e esta foi uma ideia minha, que depois foi adoptada por alguns motoristas, aqueles que possuiam Mercedes “180-190 e até 220 D, portanto modêlos das décadas de 1960/70 era fita cola (scotsh tape) para tapar a parte superior dos farois da frente, pois os antigos Mercedes baixavam muito a trazeira quando carregados, ao ponto de baterem com o tubo de escape no pavimento e mesmo nos médios encandeavam o transito em sentido contrário, assim para evitar o ajustamento dos farois constantemente, remediava-se assim o problema até a carga ser aliviada, usando este estrajema que dava bom resultado.
E quando se partia um vidro da frente, (pára brisas) ás 10 ou 11 horas da noite e para tornar a situação ainda pior, estava a chover ? Imagine-se que fazer com um carro cheio de gente, que quer seguir viagem?
Um plástico transparente, fita cola em volta do pára brisas, duas ripas ou páus miudos para sustentar o impacto do ar e aí vamos nós seguindo viagem novamente.
Mais devagar certamente, mas sempre caminhando. Todos estes apetrechos faziam parte da bagagem e a tudo isto era sujeito o motorista de praça, da pequena aldeia Beirã !
Do mundo rural da Peninsula Ibérica, para o movimentado mundo da sofisticada Europa para lá dos Pirineus.
As primeira vezes a ansia de ver a nova paisagem, o novo mundo; mas com o decorrer do tempo e a rotina das viagens, o cansaço e a angustia de chegar ao destino sem incidentes tornava-se numa vida de nervos, de ansiedade e incertezas.
De salientar que estas viagens eram feitas sempre sem nenhuma paragem , não importava a distancia, pois os emigrantes não queriam demorar muito, nem tão pouco gastar dinheiro em comida ou dormida. Comia-se da merenda e dormia-se no veículo algum tempo para descansar um pouco durante a noite e era tudo. Nós motoristas só dormiamos numa cama quando chegavamos ao destino, ou na viagem de regresso.
Dir-se-ia que esta vida da emigração e tudo o que com ela se relacionava, era como que uma vida de ladrão -entenda-se o têrmo- era necessário andar sempre fugindo e mentindo; fugiam os que queriam deixar a Pátria para arranjarem trabalho e sustentar a família.
Fugiamos nós motoristas de táxis, porque levávamos passageiros a mais do que o permitido por lei, ( pois doutra forma não dava para efectuar a viagem ) fugiamos igualmente aos impostos nas fronteiras, ocultando-se algumas coisas que se levava, como garrafas de bebidas, mantimentos proibidos como, chouriço, queijo, etc, etc.
Nós motoristas, fugiamos igualmente aos impostos franceses na fronteira, mentindo no destino que levamos, para pagarmos menos imposto do TVA, dizendo que iamos para mais perto, do que na realidade. Por exemplo, se iamos para Lyion, diziamos que iamos para Brive, se iamos a Paris, diziamos que iamos a Poutiers ou Tours, e assim sucessivamente. Tentávamos ocultar à Alfandega Portuguesa, uns novos pneus Michelin, que eram mais baratos em Espanha, aos quais mandávamos tirar a inscrição do país de origem e sujando-os todos na lama e de encontro aos passeios , para parecerem usados.
Dirse-ia que era necessario tirar um cursso especial para se poder viver nesta vida de emigrante de todas as semanas . Nas viagens tomavam-se comprimidos para não dormir, arriscáva-se a vida; nossa e dos passageiros, para se poder subreviver; quem assim não fizesse, não conseguiria passar do “mesmo” e amealhar alguns escudos.
Queria mencionar igualmente o racismo que por vezes encontrávamos e vou citar um exemplo de uma vez quando seguia para o Luxemburgo, proximo da cidade de Troyes parámos num café restaurante na berma da estrada, onde eu já tinha parádo antes noutra vez; tinhamos viajado todo o dia anterior e grande parte da noite e por volta das 8 da manhã, parámos para beber uns cafés e fazer uso da casa de banho, aproveitando para lavar a cara e fazer a barba alguns de nós . Perante o nosso espanto, não nos deixaram entrar, dizendo que estava “fermê” fechado, sabendo nós de antemão que era mentira pois havia gente lá dentro comendo e passados alguns minutos um camião pára no local e entra sem mais demoras. Eu sabia perfeitamente que estávamos a ser vítimas de descriminação, por sermos emigrantes.
Apenas uma outra referência a outro caso dum colega meu que estava à porta da estação de caminho de ferro de Hendaya e foi interceptado pela Polícia, perguntando-lhe o que estava fazendo ali, pediram-lhe os documentos e quando viram que tinha passaporte turista, e era motorista de praça , deram-lhe uma bofetada e disseram-lhe que desaparece-se dali. (Talves porque alguns motoristas tentavam arranjar clientes portugueses para trazerem no seu regresso, vazios, a Portugal) de qualquer das formas não era maneira de se tratar uma pessoa sem evidencia de nada ter feito.
Tinha muito mais casos para descrever sobre este tema, mas não quero enumerá-los para não alongar mais esta introdução, mas era este o triste exemplo da vida do emigrante português para França e daqueles que os serviam.
Ninguem como aqueles que passaram por esta vida, durante as décadas de 1960/70 o sabem melhor. Naquele tempo não havia as auto-estradas e as poucas que havia, era necessário pagar portagens, por vesez caras, pois havia que aproveitar todos os escudos possíveis. Por tudo isto eu passei assim situacoes inesqueciveis, durante 12 anos que viajei a caminho da Europa, para lá dos Pirineus, pois a outra aquem, era diferente.
~~~Tipical viagem a França~~~
Depois de sairmos da nossa fronteira o que acontecia por volta das 8 ou 9 da manhã, iniciava-se a jornada pelas “carreteras” de Espanha, o que para nós era como que viajar em auto-estrada, comparadas com as estradas portuguesas da época, rolava-se pelos 100 km/hora e só se parava para abastecer de alguns bolos para o caminho e outras recordações, que eram compradas nos estabelecimentos da fronteira e se não fosse necessário meter pneus novos, a viagem era sempre de seguida até que chegasse a vontade de comer, o que era sempre entre Salamanca e Valladolid. Chegava-se à fronteira francesa sempre ao fim do dia, depois de se terem percorrido os 600 e tal kms de Vilar Formoso a Irun e de se terem feito inúmeras ultrapassagens, pois o transito na # 1 de Tordesillas a Irun era sempre intenso.
Depois de se passar a fronteira e alguns sustos dicipados, pois todos os chouriços, queijos, azeite, garrafas etc, “passaram” sem perigo, rolamos mais algumas dezenas de Kms para sairmos da zona de fronteira e escolhemos um sítio iluminado para comermos novamente, normalmente á berma da estrada, num parque publico ou dum restaurante, estação de serviço, ou ainda próximo duma povoação.
Merenda comida, hà que recomeçar a marcha e rolar mais os Kms que se pudessem pois a viagem é longa e faltam percorrer muitas centenas de kilometros ainda.
Desta vez a viagem que exemplifico, leva-me a seguir ao cruzamento de Dax a cortar pela Nacional #124, rumo a Mont de Marsan . É quase meia-noite e meia, ve-se um desastre. Há polícia e ambulancia na estrada ! Fazemos vaticínios ! Serão portugueses ?
Algum compatriota nosso vencido pelo sono e cansaço?
Finalmente aproximamo-nos da cena e verificamos que não. Parece ter sido grave!
Lá seguimos nós aquela hora da noite, comentando o acidente, por estradas desconhecidas mas, o espectro do acidente misturado com a fatiga e o efeito psicológico da distancia que ainda tenho para percorrer começa a apoderar-se de mim e não consigo manter um andamento que dê rendimento.
Tento dormir um pouco, mas sono não há!!!
Entretanto chega a manhã e finalmente por volta das 3 horas da tarde.
A carga é aliviada e já estou pensando no regresso, não há tempo a perder.
Aquela terra, aquele país , não são meus a missão que me lá levou estava cumprida.
Agora apetecia tomar um fresco duche, comer bem e dormir, o merecido repouso; mas…essas facilidades estão longe, a 1.500 Kms de distancia naquela aldeia portuguesa da Beira-Baixa; Peso do concelho da Covilhã.
Os clientes transportaddos não têm as condições materiais ao seu dispôr, para me providenciarem essas facilidades: vão habitar uma velha casa com fracas condições para o efeito, aquilo que os Franceses já rejeitaram. (Infelizmente era assim a emigração desse tempo.) Os conhecimentos da lingua não são nenhuns…enfim sentem-se num ambiente estranho. As pessoas olham para nós, mas nada dizem; dirão talvez para eles próprios… de onde virá esta gente? Mas era assim a França desta época, recebia gente de toda a area mediterrânica, estava em franco desenvolvimento.
Entretanto a minha jornada de regresso começa; há que andar; o automovel agora roda melhor ! pudera… com 3 adultos, 4 crianças e aproximadadmente 400 Kgs de bagagem a menos ! …
Vai chegando a noite e com ela a hora de comer e dormir; depois de 2 dias e quase 2 noites de viagem ,com escassas horas de repouso, comer e dormir no hotel seria bem merecido. Mas o motorista de praça , da aldeia beirã, esse emigrante do dia a dia, não pode fazer isso; é necessário acabar de pagar o Mercedes que ainda não está todo pago. Por isso, uma coisa ou outra: ou comer no restaurante e dormir no carro, ou comer no carro, de algum resto da merenda que ainda sobrou, ou comprar-se qualquer coisa num estabelecimento de comidas,(mercearia) e dormir no hotel.
Optei pela primeira alternativa, comer no restaurante e dormir no carro.
Aliás com o cansaço que levo em qualquer lado durmo e dar 10 a 15 francos por uma dormida, nestas circunstancias , é dinheiro mal empregado.
Assim como uma sopa que há tres dias não comia, um bife com batatas fritas, um copo de vinho e fruta ! Há… como é bom comer com apetite… foram 13 francos bem empregados.Agora há que andar mais uns Kms… mas não muitos, porque a experiência assim o aconselha ; depois de uma boa refeição, o sono chega depressa, até sem a gente dar por isso; e depois de dar um pequeno desvio para a berma… há mesmo que encostar.
Passam já das 11 da noite, um salto para o Banco de tráz e quando acordo são 3 da manhã. Um camião, com a deslocação do ar, fez balançar o Mercedes o suficiente para me acordar. Saí fora a, desentorpecer as pernas, tomar um pouco de ar puro. Aquela hora da manhã, lava-se a cara e quase a cabeça , com àgua que ainda veio de Portugal…não está muito fresca como seria desejável; há que encher novamente a vasilha de plástico com àgua fesca e aí estou eu apto para nova etapa… não muito longa , pois com o romper da manhã o sono chega novamente e, há que obedecer-lhe.
Depois de mais umas dezenas de Kms percorridos , mais uma dorminhoca.
O transito matinal começa a ser mais intenso e eis-me de novo na estrada, planeando passar mais uma noite nas “carreteras” de Espanha e chegando á Covilhã por volta do meio dia, o que era bastante cedo para o normal.
Era esta a vida dos emigrantes de todas as semanas, motoristas de praça da emigração, na décadas de 1960/70.
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APONTAMENTOS de VIAGENS A FRANÇA
Mais um Inverno está quase passado . As turbulentas aguas do Rio Zêzere que nos passa aos pés já acalmaram ; agora a agua ainda ludra do Inverno vai aclarando como que clarificáda pelas neves da Serra da Estrêla que tambem se vão diluindo a pouco e pouco e se juntam agora em estado líquido, ao caudal que tem o seu início nos sítios dos cantaros da mesma Serra.
O tempo começa a querer aquecer e com ele tambem os ãnimos desses poucos que ainda restam e esperam por mais uma abalada para terras de França, lá mesmo no coração dos Alpes , precisamente no famoso cenário do Vale de Isere, próximo da fronteira Italiana.
Não for a essa circunstancia de irem para uma região montanhosa, não estariam eles já aqui neste vale do Zêzere, mas sim lá naquele vale do Isere.Porém com o mês de Março á porta, á mesmo que partir, pois a ânsia de amealhar mais uns milhares de Francos arde-lhes no coração.
Contactam-se os companheiros da época passada. Arranja-se uma carrada para o carro do Dominguiso, localidade de onde são a maioria, portanto vão com ele e sobram apenas dois para mim o, que não é suficiente. Há que procurar mais três passageiros, ou pelo menos dois, para eu poder efectuar a viagem . Entretanto aparece mais outro, que vai pela primeira vêz, levado por estes companheiros o que prefáz três. Contacto um amigo meu que vai para Chanpagnole, Departmment do Jura , já mais a Norte e que já não é a primeira vêz que viaja comigo. Á falta de mais alguem , decido arrancar com aqueles quatro companheiros, na esperança de uma gorgeita um pouco maior, para compensar a falta de outro pas-sageiro, podendo assim eles viajar um pouco mais comfortáveis,. Para mim tambem era mais conveniente , pois viajava com o carro mais leve mas não era esse objectivo que os clientes tinham em mente, mas sim o de poderem economizar mais uns escudos e para mim tambem não é o que mais me importa , habituado como estou a viajar com o carro carregado, como um ouriço cacheiro, como se costuma dizer .
E assim lá partimos novamente a uma sexta feira, sempre á sexta feira… o emigrante quer aproveitar todo o tempo possível para estar junto da família e assim é semppre á sexta feira o dia escolhido, para chegarem Sabado durante a noite ouDomingo de madrugada e assim poderem recomeçar o trabalho á segunda feira.
Para mim o problema mais frequente era o párabrisas partido e acontecendo a um sabado de tarde ou ao domingo, so havia uma solução: ou viajar com ele partido, se as convições do tempo o permitissem, ou esperar até segunda feira.
Voltando ao seguiemento da viagem aos Alpes , lá partimos naquela ultima sexta feira do mês de Fevereiro, eu e o meu colega Tó do Dominguiso, este com um motor Novo no Mercedes, que ia fazer a rodagem naquela viagem.
O itnerário era sempre o habitual até à fronteira francesa; Vilar Formoso, Salamanca,Valadolid, Burgos, Victoria, San Sebastian e finalmente Irun e Hendaya, na fronteira francesa. So se mudava de itnerário em Bayone.
Consoante o destino a tomar, ou se seguia pela Nacional 10 para Bordeus, pela 117 para Pau, ou pela 124 para Dax.
Nesta viagem seguiriamos pela 117 rumo a Pau, Toulouse,Narbone, Nimes, Valence, na direcção de Grenoble e depois a subida para os Alpes.
As horas de partida eram sempre pela manhâ o mais cêdo possível, mas neste caso chegaram-se as 9 da manhã e nos ainda na nossa aldeia.
As despedidas da mulher e dos filhos eram sempre chocantes e lagrimosas, assim como as dos pais, aqueles que ainda os tinham, não contando os amigos que se iam encontrando, tudo isto leva tempo.
E estes companheiros eram todos casados, deixando para traz mulher e filhos em Portugal, pelo facto da região onde trabalhavam não ser propícia a ter a família junto deles. Por um lado não podiam trabalhar mais do que 8 ou 9 meses devido ao clima, por outro nestas estancias de turismo de inverno não se encontrava acomodação acessível com facilidade. O que há mais é Hoteis e isso é caro para emigrantes.
Por outro lado os filhos andam na escola em Portugal e perderem-na, era outro ponto a ter em consideração pelos pais, por todas estas razões estes compatriotas nunca levavam as famílias.
Porem com o decorrer do tempo, ultimamente alguns se decidiram a mudar de ideia e começaram a chamar as famílias para junto de si.
A educação portuguesa dos filhos, foi pormenor a esquecer, pois o viver isolados da família foi o factor que os levou a tomar esta decizão.
Assim partimos da aldeia já sol alto, já quase 9 horas da manhã quando partimos do Dominguiso, com um dia maravilhoso de sol primaveril a evaporar aquela marzia da manhã ainda humida, dos princípios de Março.
Apesar do bom tempo , os dois levava-mos as 5 ou 6 malas de viagem do porta-bagagem (tejadilho) bem cobertas e amortalhadas com um oleado, o que fazia com que as pessoas olhassem para nós com curio-sidade, dizendo talvez para com eles proprios…gente que vai para França; experientes como estavam a vêr estas abaladas.
Assim seguimos rumo á Guarda e Vilar Formoso, onde tivemos conhecimento de que mais três carrinhas da área, tinham seguido de manhã muito cêdo, ao abrir da fronteira (7 da manhã), com pessoal para a mesma região. Foram eles o Zé Correia do Tortosendo, o Alfredo Gerónimo da Coutada e outra carrinha de Peraboa. Portanto tinham saído da “Cova da Beira” 5 transportes com emigrantes para a mesma
Região. Estes eram transportes clandestinos, que por não serem carros de aluguer, não podiam fazer estes serviços, perante as autoridades portuguesas, por isso tinham que partir durante a manhã muito cêdo, para evitarem as Brigadas de Transito. Aliáz todos nós eramos clandestinos, até mesmo os que tinhamos automoveis de aluguer, uma vêz que tinhamos que levar tambem pessoal a mais, para poder-mos tirar
algum lucro, por conseguinte tinhamos que fugir tambem á Polícia. Seguindo viagem…as paragens seriam sempre as mesmas como atraz refiro e pelo mesmo motivo, quando não houvesse nenhum azar de maior. Paravamos para se substituirem uns pneus , por uns novos Michelins, depois mais tarde para se comer da merenda, mais algum tempo depois já pelo meio da tarde, para se beberm unas cervezas até que alcançasse-mos Irum e já mais pela noite adiante, para um café e um conhac para passara a molêza.
Quase sempre companheiros levavam uma garrafa com qualque coisa ,como vinho do Porto, aguardente ou até vinho normal para irem bebendo pela noite fora , para irem molhando a garganta , como eles diziam, garrafa que era passada de uns para os outros como que se fosse uma só família. (Quem não conhece estes portugueses para a pinga…)
Mas voltando ao seguimento da viagem ao Val do Isere, lá arrancamos por aquela Espanha fóra com um dia explendido, com o meu amigo Antonio do Dominguiso a ter mêdo de acalcar no acelerador, porque o carro tinha precisamente levado um motor novo e eram os primeiros Kilómetros que fazia. Como porem a estrada em Espanha é bastante boa e salvo poucas exepções quase toda plana,digo-lhe que não tenha medo de carregar no pedal um pouco mais, pois desde que não força-se o motor não haveria perigo nenhum de chegar aos 100 km /hora desde que as condições o permitam.
E assim aconteceu, o Tó começa perder mais o mêdo de carregar no acelerador e até quase se esquece que o carro tinha levado um motor novo. O andamento agora era o normal das outras viagens, pois não era a primeira vez que viajavamos juntos.Com uma carrada só de homens e veteranos da emigração, a viagem corria com satisfação e frequentes paragens para umas “cervezas”, pois viajavamos em Espanha praticamente o dia todo. Como saímos já tarde da nossa aldeia, ia-mos um pouco atrasados em relação ao ritmo normal das outras vezes. Assim quase sempre ia-mos comer á noite, já proximo da fronteira francesa ou na zona Basca de Alsassua ou S. Sebastião; mas desta vez estava-mos a comer já quase noite, nas proximidades de Victoria, portanto com um atraso de 2 a 2 horas e meia em relação ao usual.
Mas com malta desta, não há que ter receio; parece que ainda agora estou a saborear os “tordos”que o meu amigo João Mango alcunho como o João era conhecido e chamado,( pois ele não se preocupava com isso,) tinha levado para a merenda. Da minha parte ajudei-me a dois, com dois papossêcos e um traçado de vinho com gasosa e fiquei mesmo bem disposto.
Merenda comida, já quase noite, apenas com uns ténues clarões de raios de sol a perderm-se no horizonte da planície espanhola, lá para os lados de Portugal e da nossa Serra da Estrela, que quase já não se viam e lá arrancamos deixando para traz aquele pôr de sol daquela tarde de primavera, que parece que ainda agora estou vendo na minha imaginação... mais uns minutos e… era noite.
Prosseguindo a nossa jornada até ao cruzamento de Alsassua, Pamplona, San Sebastian e atingimos Irun já passava das 11,30 da noite.
A paragem habitual para atestar de gasoleo, que era mais barato em Espanha, verificar o oleo, a agua, os pneus, isto para os Mercedes ; para nós uns cafes que nos dariam mais alguma reacção para enfrentar-mos a Alfandega francesa e depois o sono durante a noite, se o não tirassem na fronteira com as bebidas e outros alimentos que levava-mos!…Chegamos á fronteira já passam 20 minutos da meia noite.
Pagamos as taxas respectivas, tiramos o seguro para 3 dias e segue-se a habitual rusga alfandegária; na mala de traz e debaixo dos bancos, as pilhas electricas dos dois guardas relampejam por todos os cantos. Não há problemas de maior desta vez e lá seguimos contentes por não fazerem abrir mala nehuma, rumo a San Jean de Luz, Bayone e aqui tomamos o rumo da cidade de Pau, que são mais 107 Kms.
A noite adianta-se e o sono e o cansaço como é natural, começam a apoderar-se da malta e de mim tambem, mas o nosso objectivo é atingir Pau e depois dormir o resto da noite, ( que já não podia ser muito) até de manhã.
O meu amigo João (Mango) com quem se podia viajar por menos qualquer coisa, não só pelos tordos que levou para a merenda, mas pela boa camaradagem que fazia, pois não deixava dormir ninguem com as suas anedotas…mas sempre olho bem aberto , a dizer-me: ”Ó Belarmino, parece que já vás a esquecer-te do pedal”! Olha aí um “deixavô”(2cv) como a malta chamava ao Citroen de 2 cavalos; passa-me já “esse tipo”isto é um Mercedes, dizia ele. Duma vez anterior a esta, este amigo João com os seus incitamentos, ia-nos levando á morte na estrada de Beaune-Dijon.
Dois camiões, um á minha frente, outro em sentido contrário, este ainda a uma distancia razoável, eu afrouxo um pouco para não ultrapassar o que ia á minha frente e deixar passar o outro que vinha em sentido contrário, quando o João se apercebeu da minha intenção e diz-me como era seu habito;“é pá, passa-me já esse gaijo, isto é um Mercedes…”
Eu embarco no palavriado do João… e foi um milagre não ter-mos ficado esmagados entre os dois camiões; ele até se inclinou para a frente, como que a querer dar mais embalagem ao carro, com aquele jeito que é normal das pessoas nervosas.
Nervoso fiquei eu, sem uma pinga de sangue, como se costuma dizer e respirando fundo disse ao João: é pá, cala a boca ,, que eu nunca mais me levo no teu palavriado, tanto faz falares como estares calado, viste o que nos ia acontecendo em me levar pelo que tu dizes? O meu amigo João não disse meia, esfregou a cabeça e calou-se.
Enfim… são estupidezes que nunca esquecem.
Voltando novamente ao seguimento da viagem, ao deixar-mos Bayone pela route national 117, as luzes da refinaria de gaz despertaram-nos um pouco, até que finalmente atingimos a cidade de Pau, já passava das 2 da madrugada. Passamos a cidade e já á saída onde existem uns parques de estacionamento, junto de umas grandes arvores onde os autocarros tinham tambem a sua paragem, aí abancamos para dormir um pouco. Por volta das 5 horas, já com a manhã á vista, sentimos pessoas falar junto dos carros, o que nos despertou e acordámos, quando verificamos que falavam português. Eram compatriotas nossos que ao esperarem o transporte para o trabalho, viram os Taxis portugueses e já não pararam de espreitar em volta dos carros. Após alguma conversa com os mesmos, lá seguimos novamente após aquelas 3 horas de repouso a enganar o sono. Fomos parar em Tarbes, já com os Pirineus á vista lá no fundo todos cheios de neve e aí lavamos a cara numa fonte e fomos depois tomar um café lá mais á frente á saída da cidade.
Seguindo na direcção de Toulouse, antes de chegar-mos a esta cidade toma-mos a route 622 para Auterive seguindo sempre em frente para apanhar-mos a 113 para Carcassone, Narbone, Béziers, Montpellier, onde á altura chegava já a Auto-estrada.
Aqui e antes de entrar na cidade, metiamos-nos na Auto-route para passar-mos Montpellier e saía-mos logo na primeira saída a seguir á cidade para evitar-mos o movimento da mesma e de pagar a portagem, seguindo novamente pela 113 na direcção de Nimes e Avignon para tomar-mos a N 7 para Valence e depois Grenoble, onde chegamos já á tardinha, por volta das 5 e tal da tarde e parámos num estacionamento junto a uma das pontes do Rio Isère.
Aqui comemos mais qualquer coisa, da merenda…claro e seguimos, pois a noite já se estava a aproximar e queria-mos chegar quanto mais cêdo melhor, tanto mais que aqui
já era zona de montanhas e neve. Aqui já existia outra auto-estrada para Chambéry, construída para os Olimpícos de 1964(?) e foi essa mesmo que seguimos, na direcção de Albertville, Moutiers , cá no fundo do vale e por fim a pequena povoação e estancia de turismo de Inverno, Meribel onde chegamos mesmo já ao anoitecer, mas ainda com claridade suficiente para se verem os cristais de gelo transparentes como o vidro, que vinham dos telhados das casas até quase tocar o chão. E tudo isto já no mês de Março!
Para nós apesar de Beirões, proximos da Serra da Estrela, nunca tinhamos visto coisa igual .Acontece que ao chegar-mos a Meribel um dos passageiros que já lá tinha trabalhado mais anos, diz-me que siga que ainda não era ali, o local para onde iam, que era mais para a frente. Entretanto sigo com atenção e após alguns minutos percorridos verifico que a povoação tinha acabado e estavamos já seguindo noutra direcção e chamei a atenção do nosso amigo Zé Guerrilha, do Dominguiso, que era o nosso guia no local,visto ter trabalhado lá o ano transacto ou seja em Outubro e como era zona de montanha , boa parte do Outono e Inverno, os nossos compatriotas não podem trabalhar, pois quase todos trabalhavam no “batiman”ou seja, construção civil. Parei naquela estrada esteita, cheia de neve e gelo e nisto aparece em sentido contrario um jeep de tracção ás 4 rodas, equipado com grossas correntes em todas as rodas e teve que parar para poder passar com segurança. Aproveitamos a oportunidade para lhe procurar-mos, onde era o Hotel … não me recordo do nome, e diz-nos que já tinhamos passado Meribel que já ficou para traz e já ia-mos a caminho de Courchevel.
Lá recuámos os carros umas boas centenas de metros, com um companheiro a pé, na trazeira do carro para avisar algum outro que viesse, visto não poder-mos fazer inversão de marcha numa estrada tão estreita e toda coberta de neve e gelo, viramos num desvio e lá seguimos novamente, mas não sem uma rizada por todos e chatiarem o nosso amigo Zé, pois não conheceu a terra onde esteve á 5 meses atraz. E agora a dizer-nos… parece que é aqui para cima. Não admira, pois a zona estava toda coberta de neve e quem não está familiarizado com a paisagem, torna-se dificil por vezes identificar um local.
Chegados finalmente ao destino, cada um lá se arrumou como pode num velho Hotel
que servia de residencia para os emigrantes que ali trabalhavam na construção de novos edifícios. Alguns, de diferentes localidades e até nacionalidades, ali tinham a sua cama e os haveres que tinham deixado a época anterior, 3 ou 4 meses atraz;outros lá se ageitaram de qualquer forma até passar a noite. Para nós, motoristas de praça, foi-nos arranjada uma cama e havia outra vaga, que era de um Argelino que ainda não tinha regressado, para o companheiro dos tordos, João Mango, que seguia comigo para Champagnole, no Jura. O meu colega Tó do Dominguiso, ainda estava resolvido a ficar, mas ao pegarmos nos cobertores que ali estavam em monte, verificamos que estavam todos cheios de pó ou cimento, sei lá… que ao desdobrálos encheram o pequeno quarto, todo de nevoeiro. Ao vêr aquilo, disse para os companheiros que não valia apêna ficarmos, iriamos cá para baixo para a vila de Moutiers e iriamos dormir num hotel.
Eles concordaram e agradecêmos aos companheiros a boa vontade, pois nada mais nos poderiam fazer, tinham que sugeitar-se ás condições que encontravam .
Por aqui poderemos avaliar a vida do emigrante, que viajava a só, sem a familia; chega ao local de trabalho e encontra um velho colçhão e uns cobertores, tudo sujo e tem que sugeitar-se ao que encontra.
Entretanto eu tinha já esvasiado o radiador do meu carro, para não gelar durante a noite e tive que por agua novamente. Decêmos a montanha, uns 5 ou 6 kms, pois estavamos lá no alto da povoação de Meribel e viemos para a vila de Moutiers, que era cá em baixo no vale. A temperatura lá em cima é de gelar, abaixo de zero não sei quantos.
Chegados a Moutiers, dirigimo-nos para o centro da vila para procurar-mos hotel , o que raramente os motoristas de praça faziam, mas nestas circunstancias não haveria outra alternativa, pois para seguirmos viagem, era já tarde e não chegariamos ao destino do meu cliente João sem passar quase outra noite na estrada e isso era para nos quase impossivel. O nosso plano era deixa-lo no lugar e seguirmos viagem depois.
Batemos á porta delicadamente e aguardámos que a dita senhora nos abrisse a porta. Porem ela fêz que não houviu… e batemos novamente e acontesse a mesma coisa. Até que batemos com mais força e só então a dita senhora se resolve a levantar a mão e fazer o gesto, que “não”.
Nem sequer teve a coragem de olhar para nós; e continuou a escrever.
Ficamos desapontados e pensámos que estavamos a ser descriminados, sofrendo mais um efeito racista , pois tinhamos parado em frente da porta e ela viu que eramos emigrantes, pela cor dos carros e matricula ou até pela nossa maneira de ser.
O meu amigo João, ficou furioso e dasabafou; só me apetecia meter o pé á porta e lá lhe chamou alguns nomes, aquela p…a, em francês.
Arrancamos e fomos procurar outro hotel; encontramos outro, um pouco inferior, genero de pensão, via-se pela apresentação,onde ainda havia luzes acesas e uma porta aberta, que dava acesso para dentro do predio. Batemos á porta algumas vezes e igualmente ninguem respondeu. Isto eram já mais de 11,30 da noite.
Acabamos por dormir assim ali mesmo em frente, todos dentro do carro do Tó do Dominguiso, que tinha mais espaço. Nós os dois motoristas, ficamos nos acentos reclináveis da frente e o nosso companheiro João, ficou no acento de traz.
Valeu-nos os cobertores que cada um de nós, motoristas, leváva-mos sempre, pois a noite naquelas paragens é fria, quase a 10 abaixo de zero essa noite.
Acordamos com tudo branco da forte geada que caiu essa noite e lá seguimos de manhã rumo ao Deparment do Jura, onde ia ficar o João.
Ainda disse ao meu companheiro Tó do Dominguiso, que se não quizesse ir comigo que poderia seguir, pois indo comigo iria andar mais duzentos e tal kilometros, mas ele recusou e acompanhou-me sempre o resto da viagem. Era assim a camaradagem.
E lá seguimos naquela manhã de primavera francesa, na direcção de Anecy, ao longo da fronteira Suissa, não muito longe do Lago Geneve em direcção a Champagnole, cidade capital do cimento. Chegamos á horado almoço e como o companheiro João Mango, não é daqueles que chupa pelo caroço, como se costuma dizer, lá nos levou ao restaurante, onde encontramos mais um português, que era do Barreiro, que ali estava comendo.
Lá deixamos o João e partimos; os dois taxis vazios, deixando Champagnole, (que nunca me esquece, tinha sentido unico giratório á volta da cidade) por volta das 2 da tarde, seguindo na direcção de Lons le Sonier, Clermont Ferrand, aqui tomando a N-89 que nos leva a Bordeux. Entretanto chegamos a Brive já noite, visitei o meu irmão José, como de costume quando passava no local e dissemos-lhe que tinhamos que partir e seguir viagem durante a noite, porque eu sabia que não tinha acomodação para os dois; havia um divãm onde eu costumava dormir. Porem leváva-mos a ideia de ir dormir ao hotel, o que realmente aconteeceu, para depois fazermos a viagem numa só tirada, no dia seguinte.
Eram 1.200 Kms de Brive á Covilhã e se não dormisse-mos aquela noite, seriam 3 noites seguidas a dormir no carro… e por 10 Francos, dormir e pequeno almoço (café e croassant) lá ficamos no Hotel du Commmerce.
Na manhã seguinte fresquinhos quem nem uma alface, deixamos Brive com um dia de sol lindo, fomos encontrar um pouco de nevoeiro cerrado, mais abaixo no Vale do Correze, (Terrason? não me recordo bem do nome) por alturas da fabrica do papel e um cheirinho bastante forte áquela hora da manhã. Porem ao aproximar-nos de Perrigoux, o sol voltou a aparecer, oferecendo-nos uma paisagem verdejante naquela manhã primaveril. Passamos Bordeux, a capital vinicula de Gironde, por volta das 10,30 e fizemos as rectas de Landes, sem problemas, pois durante a noite e pela manhã, a floresta Landesa é muito propícia ao nevoeiro, sempre a pizar os 100 kms horários como era nosso hábito e antes das duas da tarde estavamos a passar a fronteira de Espanha. Comemos alguma coisa no café em frente á fronteira, ponto obrigatorio dos taxis portugueses, parce que ainda agora estou a saborear aquela sopa de pescado que tanto gostava e sabia tão bem ao fim de alguns dias de comer só de merendas!…Continuando a apertar durante todo o dia, para podermos chegar a Vilar Formoso antes de fechar a nossa fronteira, (á meia-noite) caso contrario teriamos que passar outra noite esperando pelas 7 da manhã , assim fomos passando Victora, Burgos, ( breve paragem para uma bebida) Valadolid, já a tarde a desaparecer e Salamanca, já passava das 9 da noite, portanto ainda com tempo suficiente para percorrermos os cerca de 12o kms que faltavam, caso não houvesse azar nenhum .
É interessante salientar que, quando chegávamos a Salamanca , era como que já estivessemos em Portugal, a ideia de que faltava apenas a ultima etapa, dávanos essa
sensação. E finalmente …Vilar Formoso, quase 11 da noite, os nuestros irmanos Espanoles mandaram-nos seguir; na Alfandega Portuguesa as habituais burrocracias
do prênchimento do formulário de entrada, da Pide e a habitual olhadela do funcionário alfandegario para dentro do carro, abrir a mala atraz, nós já faziamos isto sem ser necessario dizer nada e o sinal com a cabeça,( a esta hora da noite já não apetece falar muito) a significar, podem seguir.
E assim chegavamos ao nosso Portugal.
Uma arrancada até á estação de serviço da Sacor para atestar de gasoleo, que em Portugal era mais barato devido ao imposto que pagavamos e um telefonema para casa, para dizer á esposa que já tinhamos chegado e ela participar á do outra colega a mesma coisa e se não houver atraso nenhum devermos estar em casa entre a 1 e 1,30 da manhã.
Tomamos a estrada do (contrabando, como lhe chamavam) Sabugal, Terreiro da Bruxas, Caria, Peraboa, Ferro, Tortosendo e finalmente a estrada do Vale do Zezere, para o Dominguiso, terra do meu companheiro Antonio e a minha aldeia, Peso. Passava da 1 da manhã, a luz do meu quarto estava acesa e a porta de entrada ao cimo das escadas abre-se…um abraço e um beijo de quatro dias de saudade, esperam-me, a tensão da esposa , (de 23 anos de idade) alivia-se. Uma boa sopa esperava-me tambem, pois era isso que nos apetecia depois de quatro dias de comida sêcas das merendas.
A minha esposa maldizia esta vida de preocupação e foi isto um dos motivos da minha (nossa) vinda para o Canadá.
Entretanto era terça-feira e normalmente outro serviço se aprontava para a sexta-feira; para outro destino, para outra parte da França ou Alemanha ou Luxemburgo… havia que contactar pessoas de difrentes localidades vizinhas, pois o mercado local não sustenta a família. Era assim a vida do motorista de praça da pequena aldeia beirã, nas decadas de 1960/70.

~~~~APONTAMENTOS DE VIAGEM A FRANÇA~~~~
Destino: St.Malo (Bretanha) via Pontarlier (Doubs)
2@ semana de Março 1969
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A Primavera aproxima-se com todo o seu esplendor e poder renovador! Os campos começam a verdejar e as arvores a quererem desabrochar. Os campos deste Vale do Zêzere e de tantos outros vales por esse Portugal fora, necessitam de começar a ser tratados . Mas a força dos homens que o havia de fazer, parte para outros lugares e os poucos que restam das férias do Natal, são aqueles que têm que ir para as zonas de clima mais duro, porque os outros…esses já partiram hà um ou dois meses atrás.
A tarefa de cultivar alguns bocaditos de terra , fica ao encargo das mulheres e de alguns homens de mais idade. Os que possuem a força… esses, vão empregá-la lá longe, onde a pagam melhor; na França, Alemanha, Suissa, Canadá ou noutra qualquer parte do mundo onde a mão de obra é mais compensada.
Assim, esses pucos que restam , alguns procuram-me ou eu os procuro a eles, para mais uma viagem alem Pirineus..
Aparece um casal para a Ilha de Jersey, no Canal da Mancha (Inglaterra), uma mãe com uma criança de tenra idade para uma localidade de montanha, proximo de Neuchatel, na encosta dos Alpes, já proximo da fronteira Suissa que se vai juntar ao marido, ambos da minha aldeia.
Apareceu mais um homem do Pesinho, para a cidade de Gray, Department do Doubs e foi tudo. Entretanto o fim de semana aproximava-se e hà falta de melhor oportunidade e verificadas as possibilidades de efectuar a viagem, esta não era
convidativa, pois os locais para onde seguiam os diferentes passageiros , principalmente os de Jersey, era mito oposto ao dos outros dois .
Atravessar toda a França até à fronteira da Suissa , atravessa-la novamente até ao Norte, St.Malo (Bretanha) e depois decer ao longo da costa na direcção de Bordeux, é uma tirada bastante grande, para a importancia que os interessdos poderão pagar.
No entanto hà sempre o apêlo à gorjeta e à consciencia das pessoas e neste caso, foi positívo. Porém, uma apreciação às possibilidades de melhor, para a proxima semana, são fracas e ficar na aldeia a contemplar a natureza , não é vida; assim hà que aceitar a proposta e marcar o dia da partida, que antecipadamente sabia: seria a proxima sexta –feira.
São 7 da manhã, tomo o café, pôr tudo em ordem, os documentos, um cobertor para a viagem, óleo para o carro, pois estes Merrcedes 220 D sempre consomem um pouco.
E vou buscar o ti Zé P.... e esposa. ao cimo do povo, que segue para a Ilha de Jersey, a seguir vou ao fundo do povo á estrada para apanhar a Ana C.... que segue para a área de Pontarlier, onde já deve estar tambem o ti Antonio C...... do Pesinho, (que fica do outro lado do Rio) mas que ficou de vir ter ao Peso, visto que o Rio Zêzere já se pássa com um jumento.( era assim nesta época.)
São quase 8,30 da manhã e parecem estarem todos prontos para a partida; desta vez a carrada não parece ser muito grande já que o Ti Zé P..... e esposa vão apenas fazer a época de Verão na industria hoteleira, a Ana vai juntar-se ao marido, onde já esteve anteriormente, veio apenas a Portugal para dar á luz uma criança que leva consigo, uma menina ainda de tenra idade, apenas alguns meses e que mesmo assim é a que leva mais bagagem. O ti Antonio, veio a Portugal tratar de umas coisas, por algum tempo tambem não tem grande bagagem para levar, por isso desta vez o carro vai mais favorável, razão porque aceitei esta viagem.
Deixando o nosso vale do Zêzere com o oleado a tapar algumas malas que seguem no porta /bagagem, pois apesar do bom tempo como uma manhã de sol primaveril, a chuva aparece sempre nestas viagens alem Pirineus, assim á que ir prevenido.
As pessoas ao verem o taxi com a bagagem tapada sabem que é gente que vai para França pois já estão habituadas a verem estes costumes.
Seguimos na direçao de Caria , Sabugal, tomamos a estrada do contrabando, como é conhecida, rumo á fronteira e chegamos a Vilar Formoso por volta das 10,30.
Assim partimos com uma manhâ primaveril naquela boa carretera e eu preciso ainda de meter uns Michelins como era hábito quando necessitava. Depois disto continuámos viagem , passámos Salamanca pela ponte nova, virando á direita sempre ao longo do rio, novamente “a direita passando por um grande bairro habitacional e assim estamos á saída da cidade hevitando o movimento.
Uma vez na Nacional 620 era só rolar até que chegou a hora do almoço (da marenda, claro) a meio caminho para Valladolid (no habitual parque de estacionamento) . Depois de uma breve paragem para aliviar a bexiga e tomar umas bebidas, pois o dia está quente, já passado de Victória , começámos a aproximar-nos da zona montanhosa das Astúrias, já á tardinha quase ao pôr do sol, sem problemas.
O transito nesta zona já é mais intenso, não só porque apanha o transito do Sul de Espanha, mas igualmente porque é uma zona mais desenvolvida com mais industria,
com o Rio Bidassoa ao nosso lado direito, todo cheio de espuma , das fabricas do papel, ao ponto de se não ver a água , certamente suja de outros poluentes, aproximamo-nos de S. Sebastião, já noite fechada.
Já não vamos fazer nenhuma paragem, porque já não existem muitos lugares de paragem propícios
para comer da merenda outra vez..
Chegados a Hendaia a habitual, paragem para desentorpesser as pernas, verificar o oleo do carro, encher o depósito de gasoleo e verificar o carro para a viagem nocturna que se aproxima . O problema da Alfandega é lembrado; O ti Antonio leva alguns enchidos, presunto e azeite, como de costume leva tambem algumas garrafas de bebida, assim como a Ana, embora menos.
O outro casal não leva nada que possa causar problemas.
Poem-se algumas garrafas por cima do banco de traz, junto ao vidro da retaguarda, (meu lugar preferido, raramente era visto) cobertas com alguma roupa de criança e assim rumá-mos á fronteira francesa. As habituais perguntas e rusga no carro, abrem-se as portas de traz e do porta-bagagem , para não causar desconfiança e não hove problemas .
Na questão do meu pagamento da taxa do TVA, paguei por dois dias, não mencionado que ia á fronteira Suissa, pois neste caso seria mais caro, mais vinte ou trinta francos. (tentáva-se a sorte) Não houve problemas.
Andamos mais algumas dezenas de Kms, para passarmos S.Jean de Luz e afastarmo-nos da zona fronteiriça onde a fiscalização é sempre mais activa e comêmos mais alguma coisa antes de nos aproximarmos da floresta landesa.
Parámos para jantar (da merenda, claro) eram já 9 da noite e planeava rolar mais uns Kms e parár para descançar um pouco, lá para as 11 da noite. Porem ao entrarmos na floresta landesa, começa a aparecer o habitual nevoeiro e quanto mais avançávamos, mais cerrado o nevoeiro, já não conseguia ler os números dos marcos kilométricos na berma da estrada. Entretanto o ti Zé P...., como cautela, tinha se sentado no banco da frente ao meu lado, no fim do jantar, trocando pelo ti Antonio, para poder controlar melhor o sono, meu e dele.
Entretanto com o nevoeiro cada ves mais intenso, o ti Zé P.... não se calava para eu encostar o carro pois o nevoeiro estava a tonar-se muito perigoso, principalmente para mim que tinha conduzido todo o dia. Eu respondia, que ainda ia bem, quando visse que me dava o sono eu encostaria. Já por experiencia, tinha-me posicionado atraz de um camião que rolava nos 70/80 km/hora o que não era mau, para a circunstancia e assim me guiava bem na estrada. Entretanto no banco de traz já tudo dormia, como era hábito nestas viagens e o motorista é que tem que se controlar, mas neste caso o ti Zé P.... não cerrava olho, o que ajudou bastante, continuando a dizer-me”ó Belarmino o melhor é parar-mos, não sei como consegues ver a estrada, basta um pequeno descuido e já está”.
No entanto lá continuamos uma vez que com a atenção que eu levava na estrada e o facto de ir atraz do camião, não levava sono nehum. Entretanto o ti Zé P.... não se cançava de me dizer para encostar.
Pensei que se consegui-se passar Bordeux antes de parar e ainda durante a noite, seria bom porque evitava o transito da manhã e pararia so depois da passar a cidade. A ideia deu resultado, (quase) o camião parou a uns 10 ou 15 kms de Bordeux, num desses parques dos restaurantes na berma da estrada e eu resolvi parar tambem para descançar .
Quando acordei eram 5 da manhã e fizemos a travessia da cidade sem problemas, tomando o rumo da estrada National 89 rumo a Brive, (onde tinha um irmão) e chegamos já passava das 9 da manhã e Clermont Ferrand.
Em Brive não parei porque aquela hora não estava ninguem em casa e tinhamos ainda muitos Kms a percorrer por estradas de traçado montanhoso. Já perto do meio dia e estavamos com o Pui de Dome ´vista , essa pequena montanha solitária que nos aparece ao longe com o que um obstáculo pela frente, e a seguir Clermont Ferrando a cidade da Michelin e a seguir Vichy a estancia de banhos famosa pelas suas aguas minerais.
Aproveitamos para mais um ataque á merenda, que agora custava já mais a ingerir, mas era assim a vida de emigrante. Já com o estomago mais refeito, aí vamos agora num area mais plana e suave , tendo deixado para traz a zona de montanha.
De Vichy tomei uma estrada secundária para Digoin e daí a nacional 79 para Macon, (para evitar ir a Lyon) depois Chalon, com uma tarde quente de primavera, Dole e Besançon, onde chegamos já de noite com transito intenso, mas eu conhecia já o itnerário e depressa me encaminhei para a fronteira Suissa seguindo a placa de Neufchatel e a seguir a de Pontarlier que nos levava á pequena localidade de Métabief, (que era o destino da Ana) mesmo na linha de fronteira com a Suissa. Estrada de montanha e áquela hora com bastante transito nos dois sentidos e ao aproximarmos mais da zona montanhosa a estrada apresenta um traçado bastante curvado e com inumeros resguardos de avalanches e desmoronamentos de pedras, com redes nas encostas e diques de cimento.
No entanto a sinalização era boa , com reguardos e balizas para sinalizar a via, embora com bom pizo, a via não era assim muito larga, com altas barreiras íngremes e perigosas.
Para mim, sendo duma região serrana, apesar disso mesmo assim sentia a sensação do perigo do trajecto, pois tinha condições mais alpinas do que a nossa Serra da Estrela .
Mesmo nesta época do ano, meadas de Março existem ainda traços bem visíveis do clima de Inverno, bem diferente do nosso. Pequenas quedas de agua saltando ao lado da estrada pelas encostas abaixo, sítios com bastante neve ainda, nos locais menos expostos ao sol. Gostaria de ter feito este percursso durante o dia, mas foi impossível, porque tinhamos planeado ir dormir a casa do nosso amigo Antonio Carvalho em Gray.
A Ana e os demais admiram-se como eu consegui descobrir e chegar a uma terra tão pequena no meio da montanha, localidade que nem sequer vinha mencionada no mapa oficial Michelin ; tinha que me socorrer de um outro mapa regional, que nós motoristas da emigração adquiríamos para podermos localizar pequenas povoações, que não vinham nos mapas normais.
Entretanto chegamos a Pontarlier e é preciso deixar a estrada de Neuchatel – Bern e apanhar a direcção de Lausanne, rumo ao Sul e a seguir á que ir com atenção pois Métabief não será muito distante. Rolando mais alguns Kms e eis que chegamos á terra desejada, só que não se via ninguem na rua. Fomos andando devagar até que um homem sai de casa para o carro e aproveitei a oportunidade para lhe mostrar o endereço e usar o meu pouco francês para o fazer entender que procurava aquela morada.
Indicou-nos para a saída da povoação e que era no café “tal” disse o nome, o que me deixou um pouco preplexo, pois ao falar de café, não era isso o que eu procurava, mas lá segui e parei nesse café, que por sinal já estava encerrado, quem não conhece estas pequenas povoações de França, onde toda a gente se mete em casa, apesar de serem apenas 8,30/ 9 da noite. No andar superior do café havia luz, mas entretanto tinha dado uma olhadela em volta da casa para ver se via algum sinal do endereço que procurávamos
e eis que com uma pilha que levava vi um Jornal do Fundão no peitoril duma janela nas trazeiras do prédio, sinal de que ali vivia um “beirão”. Entretanto alguem vem á rua e que por sinal era homen da Ana, que estava esperando e deu conta de nós . A razão porque ele estava no andar superior foi porque residia na parte trazeira do prédio e os proprietários convidaram-no a esperar pela esposa junto com eles.
Deixada a Ana e criança, tirada a bagagem, ela era quem levava mais, agora o Mercedes já ia mais leve, depedimo-nos e arrancámos imediatamente, pois os planos era de irmos ficar em casa do nosso amigo Antonio, que planeou dormida para todos e a esposa já estava esperando por nós. Chegamos a Grey já passava das 11 da noite.
A esposa do ti Antonio tinha á nossa espera uma panela de sopa, que foi a melhor coisa que nos podia ter dado, pois no fim de 2 dias de comer da merenda, a sêco, claro, aquela sopa sabia mesmo bem.
O nosso itnerário foi o seguinte: Gray – Dijon-Avallon -Auxerre-Orleans-Le Mans, (celebre pelo seu circuito automobilistico,”24 horas dse Le Mans”)-Laval- Rennes-Dinan- e finalmente St.Malo e depois o aeroporto de Dinard, onde o ti Zé P.... e esposa apanhariam o pequeno avião para a ilha de Jersey.
Aqui e alem emigrantes portugueses ao verem o taxi português, conhecido pela cor, preto e verde-mar, acenavam-nos e olhavam admirados. Ainda me lembro, na area de Orleans, de um grupo de 3 portugueses, que passeavam ´a beira da estrada, ao verem-nos um deles grita, (como que a dizernos, eu sou do Norte,) “ó car…lho”. São coisas que nunca esquecem.
Assim chegamos a St. Malo já noite e imediatament nos dirigimos na direcção do aeroporto de Dinard, mas por pouca sorte o avião tinha partido mesmo a alguns minutos atrás. Assim tivemos que procurar alojamento para passar a noite, pois o ti Zé P.... não era dessas pessoas que olhava assim tanto para o dinheiro. Segunda-feira de manhã, lá fomos para o aeroporto para tomarem o avião que saía ás 8,30 e de seguida, me mêto ao caminho sem perder tempo, agora já com aguaceiros que apanhei toda a viagem ao longo da costa cantábrica (?) com rumo a Rennes-Nantes-La Roche-La Rochelle-Saintes e Bordeus. De aqui em diante era já para mim terreno conhecido. Passei a noite nas carreteras de Espanha, dormindo logo ali em frente ao Hostal de Pancorvo depois de ter comido umas batatas fritas com polho assado no respectivo restaurante e ás 5 da manhã a Polícia de transito, toca a corneta para acordar os motoristas dos grandes camions que ali pernoitavam igualmente e batiam nos vidros dos veiculos para terem a certeza que acordavam os mesmos.
Era assim nesta época o bom serviço nas estradas de Espanha.
~ Viagem a Marselha – Fevereiro 1970 ~
Com a Primavera a aproximar-se e os locais de trabalho na zona de Marselha, á espera de alguns conterrâneos que trabalham nesta zona, estes foram-se combinando para marcarem a partida e assim fui contactado, para mais uma possível viagem a França.
Arranjam-se quatro clientes, dois para a zona de Beziers, um para perto de Touluse e o outro para alem de Marselha, mais precisamente, Brignoles.Combinado o preço e a data de partida, (o dia escusado será dizer,) sexta feira e aí vou eu para mais uma maratona alem Pirinéus.
Só que desta vês vou fazer a primeira viagem com um novo Mercedes 220 D, que tinha sido adquirido há uma semana.Eestava longe de imaginar o que me iria acontecer nesta primeira viagem com o novo veículo.
Partimos de manhã com as habituais despedidas da família, misturados com abraços e lágrimas (todos iam a sós) e os Adeus aos amigos encontrados pela rua.
Passava das 9 da manhã quando finalmente conseguimos arrancar, desta vez em direcção ao Sabugal, Vilar Formoso. Aqui já no outro lado da fronteira, como é habitual a primeira paragem para as ultimas compras de pequenas coisas. Lembro-me que o ti Zé Fatela comprou um canivete e lembro-me pelo que aconteceu e que mais adiante vou descrever.
Iniciada a viagem através de Espanha, houve a habitual paragem para comer á hora do almoço, a primeira investida nas merendas, isto entre Salamanca e Valladolid.
Parou-se mais uma vez para uma cerveza, depois de passar-mos Burgos, porque o chouriço e o presunto, fazem beber. Entretanto ti Adrião ia contando as suas habituais anedotas e fazia a malta rir, para assima fastar a tentação ded passar pelo sono, pois a noite anterior á partida é sempre noite de pouco descanço, por óbvias razões.
Chegados a Irun a paragem para atestar de gasóleo, verificar nível de óleo e agua e eles aproveitam para tirar da merenda uns snacks ao acaso.
Entretanto eu sugeri que iria antes comer uma sopa de pescado, que era especialidade do café restaurante , mesmo em frente da eatação de serviço, no outro lado da rua.
Todos resolveram acompanhar-me e ír para o mesmo. Entretanto eram já perto dfas 11 da noite quando arramcá-mos para a fronteira francesa de Hendaia.
Todos expressaram o receio , se lhe tiravam alguma coisa do que levavam, pois havia bastante choriço, presunto,queijo, azeite, etc. Estes homens iam todos viver sózinhos até Novembro ou Dezembro. Havia igualmente, garrafas de aguardente, vinho do Porto etc, que aconselhei a porem algumas por detrás do acento junto ao vidro de trás.
Todos exitavam porque ali, na opinião deles não seria o lugar indicado, que fácilmente seriam vistas. Pela minha experiencia, este era na generalidade o melhor lugar, visto que muito raramente era vistoriado. Avisei-os de que quanto mais escondiam pior seria, se eles decidícem fazer uma vistoria a rigor iriam certamente ver os lugares mais habituais para esconder; como debaixo dos assentos e entre a bagagem, na frente, junto ao motor, sítios que eram mais comuns de serem revistados.
Porem a revisão foi fácil, apenas uma olhadela para debaixo dos assentos com a pilha , a abertura do porta bagagens, uma mexidela aqui e ali e mandan-nos embora.
Entretanto eu paguei o TVA até Marselha, embora fosse uns 120 kms mais alem .
Partimos da fronteira, satisfeitos já passava da meia noite e tinha-mos planeado ir parar para dormir um pouco , quando passásse-mos a cidade de Pau. Ao passar-mos S.Jean de Luz, um pouco mais á frente, surge-nos uma brigada da Policia da Alfandega, sempre temida por nós , os que andáva-mos nestas viagens e mandan-nos parar. “Já estamos lixados” disse eu para a malta, pois quando isto acontece , sempre há problemas. Eles estão ali para revistar tudo, não estão a perder a noite em vão. Depois de algumas epois de algumas perguntas, intíman-nos a segui-los sem dizerem mais nada.
Verifíco que voltamos para trás, para S.Jean de Luz, vamos para o Quartel da Alfandega. Chegados ali mandam-nos saír a todos, pediram-me as chaves do carro e enfiaram com os passageiros todos num quarto e eu fiquei no corredor. Um agente vai interrogar os passageiros e um outro começa por me fazer perguntas a mim, ao que eu tento responder no meu fraco “francês’. Nisto diz-me que teria que pagar 50 francos novos, de multa porque levava a carrada muito alta, quatro malas ao alto no tejadilho e o porta bagagens cheio, que nem podia fechar bem.
Mas isto já eram habituais circunstancias nestas viagens.
Entretanto mandaram saír os passageiros , um de cada vez ao mesmo tempo que eram revistados todos os bolsos.
Ao Ti Zé Fatela tiram-lhe o tal canivete que anterriomente falei, tinha sido comprado na fronteira e empurram-no na direcção da porta de saída o que fizeram a todos os outros, numa atitude rude, quase tratados como cães. ..alézi...alézi.
E asim seguimos depois deste sobressalto, na direcção da cidade de Pau, como timha planeado, onde chegamos mais tarde pekas 3 da manhã.
Decidimos parar á saída da cidade , num largo onde paravam os autocarros municipais. Lembro-me que caía uma chuva muito miudinha e ali ficámos para descançar um pouco até que chegasse a amanhã.
Por volta das 6 horas ouvimos alguem falar em volta do carro o que nos despertoua atenção e verificámos que falavam a nossa lingua, as tradicionais “asneiras” do norte de Portugal. Saímos para a rua e conversámos com eles, disseram-nos que estavamá esperadoautocarro para irem par o trabalho e como viram ali o taxi portugues , estavam curiosos.
Aproveitamos para nos por-mos a caminho pois os autocarros estavam a começar a chegar e saímos na direcção de Tarbes, onde lavamos a cara com agua fresca duma fonte de nascente que encontramos mesmo ao entrar na cidade. Mais á frente parámos para tomar café e assim começámos o novo dia rolando na direcçao de Toulouse com os Pirineus á vista numa manhã com sol risonho. Porem ao aproximar-nos de St.Gaudens, o ceu começou a aprecer nublado e começamos a encontrar muitos aotomoveis com eskis, que se dirigiam para as montanhas Pirenaicas vindos da area de Toulouse. O João Pereira ia sentado á frente ao meulado e começa a contar os carros com eskis e contou mais de 280 ate chegar-mos a Toulouse. Parámos para almoçar, (da merenda,claro) e lembrá-mos o precalço da policia de alfandega da noite anterior o Ti Zé Fatela relembrou aqueles filhos da p’ ta que lhe tinham tirado o canivete. Depois da merenda comida, dizem-me que agora ja levo o carro mais leve, ao que eu respondi que o peso seria o mesmo, pois foi tirado dum lado para o outro, o que originou uma rizada. Nisto loTi Adrião, foi mesmo aliviar a carrada um pouco. Agora sim ja vais mais leve.
Já tinhamos passado Carcassone com o seu imponente aqueduto de contrução romana a dominar a paisagem e nos arredores de Narbone, ficou o o primeiro passageiro, o Ti Adrião, que ia ficar em casa de uma sua filha que residia nas proximidades.
Agora sim... com o carro mais leve, seguimos na direcção de Beziers e Montpellier que passá-mos rápido, num troço de auto estrada que já havia na altura e eu conhecia , para evitar passar dentro da cidade e evitar pagar portagem antes de entrar na direcção de Lyon. Eram á volta das 2 da tarde, na direcção de Nimes e o Augusto que já tinha trabalhado naquela área e que conhecia muito bem, leva-nos a um café-bar onde havia ‘meninas’ para provar-mos um ‘cássis’, bebida tradicional da região. O Augusto procurou á dona da casa se ainda havia meninas como antigamente e esta num assobío de árbitro, e eis que aparecem 3 lindas loiras por detrás do cortinado. Rimo-nos uns para os outros e lá seguimos o nosso destino. Não sem o Augusto nos levar a outro café restaurante em que a dona era portugues casada com um francês e que ele já conhecia dos tempos em que trabalhou na área. Seguindo o nosso destino, deixei o Augusto e o cunhado João na zona de Avignon, salvo erro , na Ponte du Gard, onde trabalhavam na manutenção da linha de caminho de ferro.
Restava o Ti Zé Fatela que seguia para uma zona ainda distante, Brignoles onde chegamos já quase noite.
Decidi voltar imediatamente e ao chegar á area de Aix en Provence decidi parar para comer alguma coisa que levá-va para a minha merenda, o que fiz e a seguir decidi tentar descançar, dormir um pouco para mais tarde continuar viagem durante a noite. Estava parado á beira da estrada numa zona arenoza e puxava um vento um pouco forte, como é habitual para aquela zona. O tal mistral, que deu o nome ao celebre e mais rápido comboio do mundo, na linha de Paris, Lyon, Marselha. “o Mistral”.
Como dizia , tentei dormir um pouco mas não consegui devido ao vento que cada vez era mais forte ao ponto de balouçar o Mercedes o que não me permitiu dormir. Decidi arrancar toda a noite, não sem ter alguns sustos na estrada. Passei um camião, depois fui ultrapassado pelo mesmo, mais tarde voltei a ultrapassá-lo e novamente ele pássa-me outra vês; como é obvio viu que eu não ia em muito boas condções de coduzir e ao ultrapassar-me, salta-me com uns buzinões , parece que ainda os estou a houvir, como que dizendo... vai dormir e sái da estrada. Entretanto com todo este circo na estrada, certamente que despertei um pouco, o sono tinha passado por mim e ainda bem , pois se eu tivesse passado pelo sono (na estrada) seria certamente muito pior. E tudo isto a acontecer na primeira viagem com o novo Mercedes, que ainda não estava todo pago. Com muito custo lá cheguei a Toulouse sobre a manhã, fazia vento frio e caía uma chuva miudinha. Parei já mais para a saída da cidade e salto para o banco de traz. Acordei já dia de todo e pessoas passavam já no passeio. Verifico que estava parado mesmo em frente dum consultório médico. Chovia com uma mistura de neve e arranco na direcção da fronteira de Espanha, que estava ainda longe, á volta dos 300 Kms . Mas o pior estaria para vir ainda mais á frente .
Prosseguindo a minha viagem a só a caminho da fronteira Espanhola o tempo invernosoé mais notório á maneira que me aproximo da zona dos Pirineus e ao chegar a Tarbes a diferença começa a notar-se substancialmente. Havia já bastante neve e a circulação do transito começa a ser difícil. Guiando com precaução, continuo a mina viagem o que se vem a tornar num pesadêlo.
Mais á frente começam a aparecer mais complicações. A ventania que se fazia sentir, tornava a neve rapidamente em gelo e os primeiros ac`identes acontecem. Um camiaão quase na valeta bloqueia parte da estrada. O transito encontr-se parado e ao fim de algum tempo começamos a andar e parar, mas muito devagar.Estava-se a usar uma só faixa da estrada com a policia já a comandar o transito no local. Lá continuei cheio de aprênsão, tanto mais que era a primeira viagem com o novo Mercedes.Começo a pensar se não irei tambem ter algum acidente que me vai dar cabo da vida. Lá consegui chegar ´cidade de Pau onde a situação no transito era caótica. Entretanto comprei uma cassete de pão, uma garrafa de laranjada e com o resto duma chouriça de carne cosida , que tinha trazido de casa e já tinha sido o meu jantar durante a noite anterior , foram o meu sustento durante o dia. Ía andando e comendo, pois não havia tempo nem condições para paragem. Ao aproximar-me mais da zona da fronteira de Espanha, a situação ia piorando com a acumulação de neve na estrada. Parecia a não hver tanto gelo, mas viam-se alguns automoveis na berma da estrada. Passei o cruzamento de Dax e aqui devido ao maior transito, pois era a estrada da fronteira a Paris, a situação pareeu melorar um pouco, devido ao maior numero de camiões que abriam caminho na neve. Embora mal, o transito ia-se fazendo e até S. Sebastião, não havia grandes problemas. Porem ao deixar-mos o vale que antecede a subida para a serra, verifica-se que os problemas aumentavam.
Antes da subida havia uma fabrica de siderurgia, e uma estação de serviço e estava um sinal avizando para o uso de "cadenas" que o mesmo era o uso de correntes e eu não as tinha. consegui fazer uma inversão de marcha e fui atráz á estação ded serviço para comprar umas, mas foi-me dito que não tinham nehumas, que as tinham vendido todas, mas que havia um reboque a levar os carros até ao cimo da serra, (onde havia um restaurante com um grande parque de estacionamento) e levava 500 pesetas á altura cerca de 250.00 escudos. Que fazer nesta situação? Esperar que o tempo melhore, não era solução. Tive uma ideia ! Levava sempre comigo fortes cordeis de nylon para apertar a bagagem no tejadilho e lembrei-me de os pôr amarrados ao pneu de tráz para fazer melhor tracção.Encostei o carro a um canto do estaconamento da estação de serviço, levantei o carro com o macaco e tentei a ideia. Podia faze-lo porque as jantes do Mercedes tinham 3 buracos e assim passei o cordel por entre eles em volta do pneu em diversas partes e aí estou eu pronto para arrancar. Esperei que se aproxima-se um camião e tento meter-me no trilho atráz dele; mas eis que um outro carro se mete na minha frente, mas mesmo assim não exitei e sigo atrás deles com o camião a abrir caminho.
Tudo bem por 2 ou 3 kms, mas de repente o camião pára e todos tivemos que fazer o mesmo. Passados momentos arrancou novamente e lá vamos nós com uns zig zags, conseguimos arrancar tambem, mas por pouco tempo. Nova paragem mas desta vês longa, tivemos que saír dos carros para espreitar e ver o que se passava e verificamos que mais á frente havia veículos atravessados na estrada e estava um reboque a tentá-los em andamento. Ao fim de algum tempo lá conseguimos arrancar novamente e a ideia do cordel de nylon parece ter dado resultado, pois apesar de alguns zig zags para arrancar, lá consegui chegar até ao cimo da subida. aqui no alto parecia uma feira, muitos camiões, automoveis, reboques, carros da Policia e de assitência na estrada.. O grande parque de estacionamento do restaurante era insuficiente para tanto movimento e as bermas da estrada estavam repletas de automoveis de pessoas que certamente tinham ido tomar uma bebida para acalmar o strees. Eu continuei com o meu cordel até ao cruzamento de Alsássua, onde fiz a minha paragem, no restaurante habitual onde comia muitas vezes.
Daqui em diante a estrada segue porum vale até á elevação de Pancorvo, antes da cidade dfe Victoria. A altura de neve na estrada é enorme e apenas se vê o trilho dos camiões que ainda se aventuram ao caminho. Eu decidi continuar até onde pudesse, pois era meia tarde e antes da noite poderia fazer ainda alguns Kms, só que fosse até á zona de Victoria, esta era a minha ideia. Porem assim não aconteceu. Depois de ter rolado uns 10 ou 15 Kms, vou-me aproximando duma subida e aqui vejo camiões parados e antes deles ,
2 ou 3 carros. Esperei talvês mais de meia hora e não conseguimos mover de onde estávamos. Vejo um carrro espanhol começar a fazer manobras para a frente e para tráz para se meter no trilho em sentido contrario, para voltar para tráz mas ficou encravado no meio da estrada tendo os presentes ajuda-lo a sair dali .Como entretanto se ia chegando a noite e não se saía do mesmo sítio, resolvi fazer o mesmo.Voltar para tráz, o que consegui sem necessitar de ajuda usando o mesmo sítio onde o outro tinha passado.Havia mais á frente uns pequenos cafés e restaurantes ao longo da estrada e a uns 3 ou 4 kms vejo um , com alguns carros e um camião parados no parque de estacionamento do mesmo e decidi parar alí . Entrei e procurei á Sra. que estava ao balcão se poderia dar comida e dormida para a noite. Ela disse que sim, mas que teria que esperar pelos filhos para ver a acomodaçao –quarto) .Eu isso pouco me incomodava, o que queria era uma cama para dormir, pois já ia na segunda noite sem ír á cama. De repente vejo parar mais um taxi português e vejo o colega entrar e identifiquei me imediatamente. Ele era da Sertã e quando me viu quase lhe vieram as lágrimas aos olhos. Tinha sido a primeira viagem que tinha feito a França, vinha das proximidades de Paris e tinha sido um dos que necessitou de ser rebocado para o cimo da serra e que já a muitas horas que vinha naquele inferno , dizia ele, ªisto nao serve para mim , já cá não volto mais. Acabamos por dormir no mesmo quarto, pois tinha duas camas para pessoa só. Este colega ficou bastante contente em me ter encontrado ali e rogou-me se um dia passar pela minha terra., para ir ter com ele. Aconteceu que nunca passei pela quela area..Entretanto a Sra. uma velhinha muito simpática, que me parecia a minha avó materna, mandou-nos entrar para outra divisão ao lado ,onde estava a cosinha e uma grande mesa onde eram servidas as refeições. Sítio confortavel naquele dia de inverno onde nos sentíamos como em casa com uma grande lareira com fogueira e bastantes chouriços a secar, tal como se usava nas nossas aldeias da Beira. Ficamos bastante contentes em ter-mos encontrado tão acolhedor lugar e com pessoas tão simpáticas.
Passado pouco tempo um outro automovel com 5 portugueses que seguiam para Paris, parava no local por ter visto ali os taxis porugueses, que eram conhecidos ao longe pela cor verde-mar.
Eram todos do Minho e disseram-nos que o grande nevão já vinha de antes de Valladolid e que a estrada estava muito ruím. Algum tempo depois mais dois carros portugueses paravam no local estes de colegas meus que eu conhecia da minha area, que vinham tambem da região de Paris. Disseram que a neve só tinha começado a aparecer pasado de Bordeus. Foi temporal que atingiu o sul de França e toda a parte centro e norte de Espanha.Ali nos juntámos todos em volta da lareira com mais alguns camionistas espanhois, onde passámos uma noite confortável. Porem um outro episódio engraçado aconteceu com os 5 portugueses que seguiam para Paris. Tinham dormido todos no mesmo quarto ao lado e pela manhã fomos acordados por grandes gargalhadas . Viemos a saber que um deles no dia anterior ao comer da merenda, deixou caír algum molho de carne nas calças. Pela manhã, quando ía para vestir as calças verificou que durante a noite os ratos roeram-lhe a perna da calça onde tinha caído o molho. Escusado será dizer que foi um espectáculo para todos ao verificar-mos o que aconteceu.
A dona do estabelecimento pediu imensa desculpa , mas disse como estava ali em volta de terras de cultivo , havia por ali ratos e agora com o frio procuravam abrigo nas casas e entravam por onde podiam. Assim se passou mais um episódio, que não seria o ultimo e que nunca esquecí. Entretanto tomá-mos o café e lá nos preparámos para seguir viagem, quando vemos um autocarro português que vinha com turistas Brasileiros, de Paris, parar ali tambem por ter vistoos taxis portugueses. Lembro-me que era notoria a alegria destes brasileiros ao verem tanta neve , coisa que nunca tinham visto na vida, a brincarem como crianças atirando neve uns aos outros.Diziam que aquilofoi para eles o melhor da viagem. Resumindo a nossa viagem, agora com 4 carros portugueses. Eu, do Peso,outro da Sertã, o Amorim do Fundão, todos taxis e o “Caramelo” (este é apelido) de Caria. com uma carrinha . Seguimos com o Caramelo a comandar á frente e ao chegar-mos a um ponto onde havia já um troço de auto-estrada, verificá-mos que um sentido estava fechado, fazendo-se o transito apenas por uma via. Mas como seguiam á frente dois camiões o Caramelo tenta passá-los julgando que o podia fazer porque era auto –estrada. Mas aquela via estava a ser utilzada para o transito em sentido contrário e os camionistas businaram-lhe chamando a atenção que não podia fazer aquilo. N os os que vinha-mos atrás fizemosl-lhe igualmente sinal de luzes para ele não seguir, mas o Caramelo era um veterano destas viagens desde á muitos anos e portanto habituado a arriscar, julgou que não havia problema.
Mas de repente aparece uma brigada da Polícia que vinha na outra margem da auto-estrada e ao vê-lo a fazer aquela manobra pára e atravessam a faixa de rodagem para vir ter com ele . Ora mas como a neve era alta eles ficaram aterrados de neve até á cintura, ficaram exaltados com o sucedido e exaltaram-se igualmente com ele, ao que este reage dizendo que era auto-estrada, julgando poder utilizar aquela via.. Como se exaltaram os animos só vê-mos um dos Polícias a puxar pela pistola. O Amorim que ia antesd dele , sái imediatamente do carro para tentar acalmar os ãnimos, não vá acontecer alguma coisa grave.Todos nós saímos dos carros e ao aproximarmo-nos houvimos “O Caramelo” dizer á ploícia, num espanhol perfeito, pois ele era um veterano destas viagens e sabia bem o espanhol,que ele era capáz de comer a pistola se fosse preciso. Tentamos todos pedir desculpa á Polcia, que ele não sabia que a via estava “cerrada’mas eles não estavam dispostos a aceitar a desculpa.
Finalmente lá mandaram o Caramelo para o fim da linha de carros que entretanto se tinha formado e convencemo-lo a obedecer ás ordens. Esperamos por ele num pequeno desvio antes de Victoria e lá seguimos novamente juntos a caminho de Valladolid, onde chegamos já perto do anoitecer. Ao aproximar-nos de Valladolid , havia um forte vento e caía uma neve muito miudinha e sêca que voava com pequenos grãos de arroz. Nenhum de nós tinhamos visto neve assim com aquelas características e já aqui no Canadá vim a saber que aquilo é chuva gelada, (ou freezing rain como aqui se chama}que raramente acontece, mas é muito perigoso para a circulação automovel.Só já passado un Kms de Valladolid a neve comçou a desaparecer.
Mas outro episódio de perigo aconteceu no cruzamento de Tordesilas, onde ao passar-mos a ponte sobre o Douro, uma descida e no cruzamento da estrada que vem de Madrid havia uma rotunda para a junção das estradas numero 1 que vem de Madrid e a 620 que nos leva á fronteira portuguesa.aqui o Amorim que trazia um pequeno reboque atrelado atráz, ao contolar a rotunda , talves por sono ou cansáço enfía com o atrelado por cima da rotunda dando um salto que quase fêz perder o contolo do carro e originar um acidente.
Tudo isto foram episódios duma viagem que para mim, me ficou sempre na memória, por ser a primeira viagem com um novo carro , pelas adversidades e perigos que enfrentámos no caminho, mas tambem pelas rizadas, enfim um nunca acabar de episódios que dão bem uma ideia do que era esta vida difícil para todos, motoristas e emigrantes.
Finalmente ,chegamos á fronteira de Vilar Formoso, já alta noite e cada um lá seguiu o seu destino. Os colegas de Caria e do Fundão, ainda nos encontrámos muitas mais veses , mas o colega da Sertã, nunca mais o vi, visto que nas minhas viagens nunca passei para aquela área.