~~~~~ SER BEIRÃO~~~~~
Para mim, ser Beirão, é ter nascido no coração da Cova da Beira, esse vale fértil e deslumbrante, situado entre as Serras da Estrela e da Gardunha, com o Rio Zêzere a espraiar-se pelo meio, rio esse que é tambem genuínamente beirão, pois nasce de entre o granito do Cantaro Magro na Serra da Estrela e vai desaguar no Tejo, nas proximidades de Constancia .
É neste vale do Zêzere que existe a maior riqueza da nossa Beira interior;
A fertilidade das suas terras atraíu a ele o homem desde tempos imemoriáis, por isso aí se encontra a maior densidade urbana de toda a Beira interior,com as cidades de Covilhã, notória pela sua industria de lanifícios e não só, desde o tempo do Marquês de Pombal, o Fundão, (nova cidade) com industria diversificada e coração de quase toda a actividade agricola da Cova da Beira; as vilas de Tortosendo igualmente de tradições ligadas aos lanifícios e Belmonte, terra natal de Pedro Alvares Cabral, descobridor do Brasil e sítio da maior Comunidade Judaica do nosso país, o que torna este vale do Zêzere a zona mais habitada de toda a Beira. Temos ainda, inumeras localidades históricas como Alpedrinha, Castelo Novo, Idanha aVelha, Monsanto, para mencionar apenas algumas. Mais a sul temos Alcains, vila progressiva e Castelo Branco, a capital da Beira Baixa, com uma zona industrial de diversas actividades relevantes a titulo nacional, formando ambas uma area igualmente agricola de acentuado alcance economico. Temos as campinas da Idanha, a histórica Monsanto e às portas de Espanha a veraneal Monfortinho, famosa pelas suas termas. Já a fazer fronteira com o Tejo, temos a Vila Velha de Ródão, com a sua industria celuloide e as incomparáveis “portas” do Tejo, como que fechando a nossa Beira ao resto do mundo. (Não tanto assim, pois os Beirões espalharam-se por todos os continentes nas diversas partes do mundo)Existem na Beira muintas terras de origem remota e longínqua e aqui se podem encontrar muintos vestígios do passado, sendo os monumentos e vestígios Romanos os de maior realce, como ; Igrejas, Castelos, pontes, calçadas, fontes, etc, mas de entre estes, quero salientar o monumento de <Centum Cellas> no fundo de Belmonte, junto ao Zêzere e à estrada nacional 18 que foi recentemente recuperado e que continua a ser um enigma para os arqueólogos sobre o seu passado histórico.
É ainda nas Beiras, Alta e Baixa , que se situam as 10 aldeias (algumas são vilas) históricas de Portugal , sendo algumas delas e seus monumentos, protegidas pela União Europeia e Unesco, (Organismo Internacional de Protecção do Património Mundial. São elas: Almeida, Castelo Mendo, Castelo Novo, Castelo Rodrigo, Idanha a Velha , Linhares, Marialva, Monsanto, Piodão e Sortelha.
Ser Beirão é ter nascido entre o granito e acordar todos os dias vendo o nascer e o pôr do sol por entre as serras cobertas pelo manto verde do pinho bravo. . Da Cova da Beira está sempre a vista o alto da Estrela normalmente coberto pelo manto branco da neve, desde Novembro até Maio. Na Primavera, todo este Vale é uma explosão da natureza, com todas as suas arvores a desabrochar e a florir. Quem não conhece a Gardunha com a verdura dos seus castanheiros, carvalheiros e vimeiros, que formam um micro-clima onde crescem arbustos e ervas unicas no mundo, assim como as suas frondosas ceregeiras que quando em flor, são um espectáculo magnificente da natureza, sendo a maior fonte deste fruto no nosso país, e que fazem inveja na Europa, para onde são exportadas muitas delas por serem apreciadas pelo seu sabor especial.
Descrevendo uma Antologia de Textos, de Escritores Portugueses do Séculos XIX e XX , escrita pelo escritor açoreano - Victorino Nemésio - e citando o escritor Oliveira Martins, 1845-1894 - ele dizia assim acerca da Beira. < A Serra da Estrela é a mais elevada das cordilheiras portuguesas; é o prolongamento da espinha dorsal da Peninsula; é a divisória das duas metades de Portugal, tão diversas de fisionomia e temperamento ; é finalmente como que o coração do país - e acaso nas suas quebradas e declives pelos seus vales e encostas, existe ainda o genuino representante do Lusitano antigo. Se há um tipo propriamente português; se através dos acasos da história permaneceu puro algum exemplar de uma raça ante - histórica onde possamos filiar-nos, é aí que o havemos de procurar e não entre os Galegos ao norte do Douro, nem entre os Turdetanos da costa do sul, nem entre as populações do litoral cruzadas com o sangue de muitas raças e com o sentimentos e costumes das mais variadas nações.
O pastor quase bárbaro dessas cumeadas da serra , a topetar com as nuvens, (1800- 2000 metros de altitude), abordoado ao seu cajado, vestido de peles , seguindo o rebanho de ovelhas louras, é talvez o descendente dos companheiros de <Viriato>.
A exposição oriental ou transmontana das abas da Serra da Estrela e dos seus serros subalternos da Gardunha, dá à provincia da Beira Baixa um outro aspecto; o ar é mais sêco , as chuvas são menos abundantes; os olivais medram melhor e os habitantes juntam à vida agricula, a industrial, tecendo as lãs dos rebanhos da serra , com a força das torrentes que se depenham nas quebradas do Vale do Zêzere.
Já semelhante na parte sul ao Alto Alentejo, a Beira Baixa é a transição da metade norte para a metade sul do País>.
A Beira de hoje não é exactamente o que este escritor descrevia em 1890 mas os ingredientes naturais pouco mudaram. No progresso o seu desenvolvimento económico tem-se feito sentir mais na ultima década, mas a agricultura, a pastoricia, ligada á fabricação do apreciado queijo da Serra, os tecidos, fabricação e confeções, contimuam a ser talvês a principal ocupação das suas gentes.
Apesar de tudo isto não foi o suficiente para prender á sua terra natal os milhares de Beirões (nos quais me incluo) que tiveram que emigrar, nomeadamente desde a década de 1960 até á de 90, altura em que a adesão portuguesa á Comunidade Europea começou a sentir os seus efeitos, estagnando a emigração não só da Beira como de todo o país.
Assim o progresso começou a chegar a todas as localidades; cidades , vilas e aldeias e hoje temos todas as utilidades necessárias,como luz , água, saneamento, casas para a terceira idade, facilidades desportivas, centros sociais, etc.
Em termos de emprêndimentos de grande vulto, temos na Covilhâ um novo Hospital Regional da Cova da Beira, está em andamento um programa de regadio, que vai aumentar considerávelmente a capacidade agricula da área, um Park de industria e tecnologia, que se espera irá ser um pólo de desenvolvimento regional e finalmente uma moderna auto-estrada, que irá contribuir para uma maior abertura de todas as potencialidades da beira interior ao resto do país e a toda a Europa.
Potencialidades estas que passam pela natural atração pela Serra da Estrela e a neve, unica realidade viável de esqui, no nosso país .
Beirão em Vancouver - Belarmino Duarte Batista
para musica da Cova da Beira: - http://www.cm-covilha.pt/ Click: Jukebox em cima, a direita ~~~
Á COVA DA BEIRA
~ I ~ ~ VI ~
Pois foi lá é que eu nasci Por isso és a mais alta
O meu pai e a minha mãe Das serras de Portugal
~~~II~~~~~ ~~~VII~~~
Tenho orgulho em ser da Beira Tenho orgulho em ter nascido
A minha terra natal Mesmo ali ao pé de ti
Pois foi lá que teve origem E ao deixar as tuas terras
~~~ III~~~ ~~~VIII~~~
Ó terras de Viriato E cá longe me recordo
Onde começou a nossa história Da tua neve branquinha
Por tanto gostar de vós Da agua a cantar pelos montes
Não me saís da memória E do por do sol à tardinha
~~~ IV ~~~ ~~~IX~~~
Adeus ó Cova da Beira E quando voltar outra vez
Com o Zêzere lá no fundo Hei-de chorar novamente
Ao passarmos a Gardunha Com a alegria de te ver
Para nós… é outro mundo Volto a chorar,mas de contente
~~~V~~~ ~~~X~~~
Temos a Gardunha e a Estrela É assim a nossa gente
Do outro lado Belmonte Que chora com a alegria
Lá no fundo a Panasqueira E canta o fado com a tristeza
Vancouver–Canadá /1989